Wagner Pinto 05.09.1978
Nasceu em Porto Alegre, Brasil
Vive e trabalha entre São Paulo e Porto Alegre

Uma espiritualidade frenética, ritmada por atabaques e agitada por transes coletivos emana das composições
de Wagner Pinto, campos saturados por símbolos de religiões afro-brasileiras e mitologias da floresta. Ícones da
Umbanda, do Candomblé e do Santo Daime convivem em uma profusão psicodélica de cores. Linhas diagonais
conferem ritmo acelerado a essa batucada ecumênica, e cores quentes circundam  búzios, cruzes de várias
tradições, coroas, peles de animais, rendas, olhos, tambores, machados, pirâmides, asas, sóis, colares de contas,
estandartes e espadas. Apesar dessa carga figurativa, Wagner Pinto sente-se mais alinhado a correntes do
abstracionismo que empregam cores e formas para expressar um mundo não visível de energias sutis.
Recentemente o artista vem incluindo objetos em seus trabalhos, conferindo-lhes um estatuto de amuleto: um colar
que se desprende da tela, franjas que emolduram o desenho. Manipulando formas abstratas que ao longo do tempo
se converteram em fortes símbolos religiosos, Wagner Pinto mistura o universo das religiões com os contornos
escuros e hachuras que herdou da Pop Art, bem como com ícones usados em histórias em quadrinhos para sugerir movimento, como os traços curtos que seguem suas figuras para indicar um rastro de vento ou fogo.

Wagner Pinto graduou-se pela “Universidade Auto-Indicada” – ironia de um grupo artistas gaúchos auto-didatas
nessa época de academicismos –  e doutorou-se em buscar suas próprias referências nas artes gráficas, na arte
de rua, no desenho caligráfico de Cy Twombly, e nos excessos pulsantes de Beatriz Milhazes e Franz Ackerman:
sincretismo estético.Há 5 anos Wagner Pinto apresenta seus trabalhos em exposições como Miração (São Paulo,
2008), Floating (Londres, Bracelona e Milão, 2009), Brazil Illustrated (Londres, 2009), Do Outro Lado (Tóquio, 2010)
além de participar do coletivo gaúcho Upgrade do Macaco.

Paula Braga


Daquilo que lhe pertence

Composta por um frenético misto de cores e formas, a produção do artista gaúcho Wagner Pinto (1978)
apresenta – dentro da revigorada pintura contemporânea brasileira – questões que mesclam a ânima trazida
por sua espiritualidade a reflexões artísticas pautadas sob a percepção de que ambas compartilham
o sentimento de arrebatamento.

São momentos de profunda concentração intercalados a períodos de extrema leveza, êxtase e simplicidade,
que ilustram o movimento feito durante o processo de elaboração, desenvolvimento e finalização dos trabalhos
do artista. Seu processo abarca inúmeras vivências e pesquisas prático-teóricas ligadas ao abstrato como
processo – referente àquilo que se dá como incorpóreo – e ao abstrato como resultado – referente à organização
de conteúdo material no suporte escolhido. É possível observar tal disposição técnico-simbólica em telas
de grandes dimensões ou nos menores e mais detalhados desenhos.

Em meio ao conjunto de elementos encontrados em suas produções é possível perder-se em um labirinto de
padronagens coloridas e achar-se em traços firmes, ora delicados, ora contidos e com ângulos retos advindos de
referências ao design. Tal diluição do tempo durante a observação do trabalho proporciona, àquele que o observa,
a sensação de ter em mãos um conta-gotas com capacidade para sustentar um oceano de coisas fluidas.

Colocando-se consciente e atento, é possível notar que o trabalho nos conta segredos para desmembrar nossas
próprias camadas e, a partir delas, descobrir o que o conjunto de trabalhos diz sobre o artista e suas buscas
artísticas e pessoais. Contudo, é somente nos colocando disponíveis, que notamos que, a princípio, a obra fala baixo,
sussurra, coloca-se ao pé de nossos ouvidos, mas que, ao longo dos olhares tudo é dito em alto e bom tom.

Nicole Candian
Principais exposições

Miração – Exposição individual
Galeria Pop/Rojo Artspace
São Paulo – Brasil – Setembro 2008

ROJO OCHO – Exposição coletiva
Galeria Pop/Rojo Artspace
São Paulo – Brasil – Agosto 2009

ROJO OCHO – Exposição coletiva
Galeria Rojo Artspace
Barcelona – Espanha – Setembro 2009

Floating – Exposição individual
Galeria Concrete Hermit
Londres – Inglaterra – Junho 2009

Floating – Exposição individual
Galeria Rojo Artspacce
Barcelona – Espanha – Junho 2009

Floating – Exposição individual
Galeria Kalpany
Milão – Itália – Julho 2009

Brazil Illustrated – Exposição coletiva
Gallery 32
Londres – Inglaterra – Setembro 2009

Grafias – do Papel ao Pixel – Exposição coletiva
Memorial da América Latina
São Paulo – Brasil – Dezembro 2009

Pick Me Up – Feira de Arte Contemporãnea
Galeria Concrete Hermit – Sumerset House
Londres – Inglaterra- Abril 2010

SP ARTE – Feira de Arte Contemporãnea
Zipper Galeria – Pavilião da Bienal
São Paulo – SP – Maio 2010

Do Outro Lado – Exposição coletiva
Espaço Cultural Manabu Mabe
Tóquio – Japão – Setembro 2010